Alumiada

A vida nos inventa muito melhor.

dezembro 29, 2005

Amar na corda bamba, entre outras coisas

Minha estante é cheia de pensamento dos outros. Tenho olhar que desalinha livros. Cada um em seu lugar. Tenho o hábito de andar pela rua desarrumando pessoas. Vitrines mostram exatamente o que se projetou ver. Sei de uma porta secreta que dá lugar ao que fica escondido. Devo estar abarrotada com verso que não encontra saída. Por isso olho bem pra o que voa até não conseguir mais ver. Quando corro os olhos pelas vitrines que andam e falam, eu cravo sorriso de gente.

Temo silêncio encorpado que poda tudo à minha volta. O desespero me desafia. Contraio a razão quando compreendo poesia. Mil cacos em papel guardam de mim a palavra amassada. Nenhuma frase sozinha é chuva que compreende ilha. E sempre me falha o barco à hora de abraçar o cais.