Alumiada

A vida nos inventa muito melhor.

março 07, 2006

Poesia pensa. Agraciada, bendita, louvada.

Todas as noites e horas do dia-a-dia, coração, olhos e boca. Ritos de oferta. Amor não pergunta como ou até quando. Afinam sorrisos, projetos, propósitos. Ele escreve. Ela lê. Ela escreve. Ele ri. Poesia em todo canto da casa. Espalhada pelas almofadas, sai até da chaleira! Presente de bisavó, que ainda apita forte aquecendo água para chá e café. Há um descaminho pelo jardim até a cozinha. Cheio de Pessoa, Rilke e Clarice. É normal arrumar frutas enquanto se discute o jornal da manhã. Os risos e as vontades voam até o pote de biscoito austríaco e ali permanecem até a hora de dormir.
Os dias nascem times new roman. Escrever é razão também para brigas fenomenais. Daquelas de dar a cara ao vento, sair porta a fora, sob qualquer tempo. Que graça tem o som dos passos dele. Chutando folhas, devagar, na volta. Eu trato é de compor aquele olhar de porta à espera. Porque dizem que tudo termina um dia. São os pássaros de E. A. Poe. Para mim é caminho tudo o que não conheço. Tudo até ele.

24 Comments:

  • At março 07, 2006, Anonymous Dora said…

    Texto de uma finura de cena de filme, bem trabalhada...Uma manhã, dois personagens, um diálogo sugerido, em meio a referências literárias...e a poesia passeando em torno!
    Adorei!!!
    Beijos muitos.
    Dora

     
  • At março 08, 2006, Anonymous Tutti said…

    Poesia pensa para cinema. Puro requinte. Parabéns, Valéria. Gostei de tudo, sobretudo do viés psicológico, do humor e da refinada ironia. Quero mais, viu? Abraços.

     
  • At março 08, 2006, Anonymous Anônimo said…

    Aquele amor de Maria, visto pelas lentes do Telescópio, está presente por lá mesmo.:)

    Você está em uma fase fantástica, minha amiga. Parabéns!

    Nel Meirelles
    http://www.falapoetica.blogger.com.br
    http://www.telescopio.blogger.com.br

     
  • At março 08, 2006, Anonymous Anônimo said…

    Amor-perfeito. No caminho, no jardim, na estradinha até o portão. Amor-de-homem, dente-de-leão. Madresselvas em flor. Ventania, sinos-de-vento tilintando. Porta bate, ninguém tem culpa. Desde os quartzos partidos, desde os sapos e anões cafonas sobre a grama, celebram tudo o que existe entra o olhar e a tarde fazendo pipoca. As mesmas bocas no jornal, na novela e no futebol. Os mesmos pés nos tangos esquecidos. Discos tão diferentes, nas mesmas músicas.

    Tato
    www.zonzini.blogger.com.br

     
  • At março 08, 2006, Anonymous mario cezar said…

    sim. esta escrita é fundura de poço farto onde os homens chegam de manhã para beber restos de esperança. beijos

     
  • At março 08, 2006, Blogger Bernardo Souto said…

    Obrigado, Valéria!

    Feliz de encontrar mais alguém que nutre a chama da esperança.

     
  • At março 08, 2006, Anonymous Dora said…

    Parabéns à mulher que respeito e distingo, entre tantas! Nesse dia, que é seu, e nosso, beijo-a, carinhosamente!
    Dora

     
  • At março 08, 2006, Blogger Alisson da Hora said…

    A Poesia - toda- é uma viagem ao desconhecido. - Maiakovski.

    E nós, ainda meramente anônimos a nossos próprios rostos, seguimos na estrada clara dos nossos versos, meio tortos, meio loucos, mas, mesmo assim, nossos...

     
  • At março 08, 2006, Blogger borges insone said…

    Valéria, desculpe, mas o blogger apresentou alguns problemas técnicos e o seu comentário ainda não foi publicado...contudo ele será, garanto-te...agradecido pela visita... Teu texto é exemplar, a Poesia rodeia-nos, nos abarca, nos carrega para os lugares mais amplos que possamos conceber, e lá passar um tempo, mais ou menos elástico das nossas realidades,sejam as reais ou as imaginárias...beijos

     
  • At março 08, 2006, Blogger borges insone said…

    Seu comentário foi publicado!Beijos...

     
  • At março 11, 2006, Anonymous Loba said…

    Um beijo, Diana! Por este texto. Pelo que deixou no meu blog. Por ser a mulher que é.

     
  • At março 12, 2006, Anonymous leilalopes said…

    um dia lindo vivo de poesia e amor, mistura essencial.
    beijo.

     
  • At março 12, 2006, Blogger Marla de Queiroz said…

    Que bonita essa sua relação com as palavras: elas se arreganham pra vc!
    Prometo visitar com assiduidade...Fiquei toda nutrida com teus versos.
    Parabéns e um beijo grande.

     
  • At março 12, 2006, Anonymous Wesley Peres said…

    Diana, volto cá e encontro uma escritura, ao mesmo tempo, mais sutil e mais vigorosa.
    Abração do Wesley

     
  • At março 13, 2006, Anonymous Anônimo said…

    Oi, luz das palavras! Passei só pra deixar um 'post', que tal poste ilumine o quanto gosto de você!!!
    Estive sexta em nosso antigo ninho. Onde nos alimentávamos de luz, agora só trevas...
    Quando der tempo, nos ligamos, tá?

     
  • At março 14, 2006, Anonymous gilbert said…

    Gostei do seu poema lá no Telescópio do Nel!

     
  • At março 15, 2006, Anonymous Squelletto said…

    de poesia, vive-se? ah, quem tem poesia na alma faz da vida o poema. não há como deixar de ser o que se é. tanto quanto querer, é um não-poder-deixar-de. o bom artista faz da vida uma obra-prima. uma obra para toda a vida. O mito de Midas. bj. Squell

     
  • At março 18, 2006, Anonymous Márcia said…

    que beleza, hein, moça?
    um beijo.

     
  • At março 18, 2006, Anonymous Márcia said…

    que beleza, hein, moça?
    um beijo.

     
  • At março 18, 2006, Anonymous Márcia said…

    que beleza, hein, moça?
    um beijo.

     
  • At março 19, 2006, Anonymous loba said…

    Diana, desculpe insistir, mas preciso do seu e-mail! Perdi tudo qdo meu micro foi formatado.
    Beijocas

     
  • At março 29, 2006, Blogger Tato Zonzini said…

    Só pra lembrar que agora sou blogspot também... salve Elissa!

     
  • At abril 02, 2006, Anonymous Nonato Reis said…

    A propósito, Sra. Diana, a palavra é caminho ou veículo? Feliz pelo teus sinais.

     
  • At abril 05, 2006, Anonymous marcos caiado said…

    Minha passagem por aqui, foi um banho de sol.

     

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