Alumiada

A vida nos inventa muito melhor.

abril 05, 2006

Deixaria um bilhete curto. O mais curto possível. Algo como: deixo-lhe as chaves. Arrepiou-se ao ler. Coloquial demais. Nada disso. Precisava de uma frase curta, rápida como o caso entre eles. Caso, romance, amor frenético, não importa. Acabara e ponto. Portanto, era preciso criar um bilhete curto. Rápido. Mas com um quê suave. Suave? Nada disso. Tudo fora suado entre eles. Tudo uma releitura besta de outros experimentos de amor. Precisava inventar o que escrever. Circulou pelo apartamento com as chaves nas mãos. Olhou os detalhes do quadro de um pintor desconhecido que detestara. Cedera o olhar porque ele dizia “isso é arte pura”. Sentou-se no chão e rastreou até perceber solidão ao pé da mesinha, onde os livros preferidos dele ficavam largados. Caminhou até lá e deixou as chaves sobre o primeiro livro. Memoria de mis putas tristes.


(do you know where's your love, all mighty ?)



8 Comments:

  • At abril 05, 2006, Blogger Tato Zonzini said…

    Talvez, de fato, escreveu algo naquela hora: mas achou melhor recolher, e deixar junto de todos os post-its que carregava. Colecionava sensações, desde a serenidade dos lençóis até o caminho que enrolaram numa teresa de subjetividade. Certamente, não lavara o rosto, sequer, e já se preparava pra girar a maçaneta. Lá fora! O caminho de casa? A próxima parada? Nada disso. Nada mais existiu senão o roncar - que vinha, não se sabe, do quarto ou das próprias lembranças.
    Eles casaram, tiveram filhos, fizeram centenas de piqueniques.
    Ele não soube de nada.
    Chamou o táxi.


    °°°°°

    Ainda te processo, Diana! Fica a me observar. Voyeur. Obsessão. Se te pego faço malcriação e encho de maldizer. Você me espia, eu sei. Nem pede autorização! Nem sente vergonha! (ah... nem eu!)

     
  • At abril 08, 2006, Anonymous mario cezar said…

    no bilhete curto tinha a idade do fogo; a ira do vento. quem é diana?

     
  • At abril 09, 2006, Anonymous Dora said…

    Ei! Esse livro de Garcia Marquez ele leu?? rs
    Diana.Vou deixar uma frase curta, para uma admiração longa: "leio você e me desconstruo!!!!!!!!!!!!"
    Beijos,
    Dora

     
  • At abril 17, 2006, Anonymous Tom said…

    Encontrei lugar num cyber café e briguei mesmo, em muito bom holandês com um cara, o dobro do meu tamanho. É que te liguei e você já tava na estrada.Vida de doutorando é esquisita como você mesma diz. Dinheiro pouco pra tudo mas vim e vi. Lendo esse teu post fiquei recordando aquela minha saída maluca, a Michele, lembra dela? A vida é passada no lápis, amiga idolatrada e quem acha que encontro, bem no meio de uma tempestade de neve? Chutou? Preciso mesmo que você atenda ao telefone! Aqui, assim só, não vai dar não. Love you, Val. Call you later

    P.S.: Ah esquecia de falar que recebi as fotos. Vamos voltar à Índia?

     
  • At fevereiro 08, 2007, Anonymous Anônimo said…

  • At fevereiro 18, 2007, Anonymous Anônimo said…

  • At fevereiro 27, 2007, Anonymous Anônimo said…

  • At fevereiro 28, 2007, Anonymous Anônimo said…

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