Mayilkan (ou olho de pavão)
É que as manhãs me esquecem. Invoco essa espécie de esquecimento. Não ouço sol e sequer pretendo estender o novo dia. Embalada pelo travesseiro, aqueço as mãos entre as pernas, me recolho e fecho os olhos contra a parede. Invento uma para treinar meus murros quando nada sangra perto. E se nada sangra perto...
Volto à Índia. Com seus homens, mulheres, templos, crianças e uma mesma fome infinita que ora me consome. Suas preces sem pressa, seus deuses coloridos que lhes douram as horas.
Minha pouca fé dá as sete voltas em sentido anti-horário. Rajah Indran me confiou que tudo e todos - sem exceção - funciona.
Rajah, eu continuo desconfiando de quase tudo.
Ainda como maçãs à primeira hora do dia e me embriago cedo com a suavidade da seda que envolve a paixão.
Volto à Índia. Com seus homens, mulheres, templos, crianças e uma mesma fome infinita que ora me consome. Suas preces sem pressa, seus deuses coloridos que lhes douram as horas.
Minha pouca fé dá as sete voltas em sentido anti-horário. Rajah Indran me confiou que tudo e todos - sem exceção - funciona.
Rajah, eu continuo desconfiando de quase tudo.
Ainda como maçãs à primeira hora do dia e me embriago cedo com a suavidade da seda que envolve a paixão.


15 Comments:
At Abril 12, 2006,
gilbert said…
Via Telescópio. Gostei do seu poema lá! PARABÉNS!
At Abril 12, 2006,
Val responde: said…
oi Gilbert! obrigada pela visita. o Nel é um poeta e tanto, amigo queridíssimo. é sempre um prazer quando ele olha meus rabiscos e encontra algo que gosta. :-)
At Abril 13, 2006,
Loba said…
Como vc, vivo envolvida na mais tola paixão. Mas diferentemente continuo confiando em quase tudo.
Menina, eu queria escrever assim. Mas é inveja de admiração, viu? rs...
Beijocas e obrigada pela força e pela presença.
At Abril 14, 2006,
mario cezar said…
sim valéria.
venho pelo cehiro da terra
At Abril 16, 2006,
leilalopes said…
além dos olhos cotra parede, precisa de quê? o sol estava mesmo lá fora.
Tudo continua lindo por aqui, passos e passos...
Feliz domingo.
Beijo.
At Abril 16, 2006,
eduardo said…
Seus textos são muito bacanas. Posso linkar no meu blog:
http://cartasintimas.zip.net
http://oliveira-freire.blog.com.br
At Abril 17, 2006,
Tom said…
Você merece voltar lá.
At Abril 18, 2006,
Dora said…
Não "amanhecer" é lembrar que o tempo só existe, se a gente quiser se encaixar nele...
Beijos para você.
Dora
At Abril 18, 2006,
Ilidio Soares said…
é assim. bem devagar. leio você de longe, mas é no devagar que eu entendo. Como sou um sujeitinho meio rápido, deixo aqui, rapidamente, o meu "babar" por esse lindo colorido que só a fé me dá. só ela.
abçs
Ilidio
At Abril 19, 2006,
dira said…
opinião de fã, serve?
perfeito. como tudo q vc escreve.
At Abril 20, 2006,
Ilidio Soares said…
Opa! Vindo de você é mais que um elogio, é lenha pura pra eu por na minha fogueirinha. Obrigado, viu? Agora deixa eu destacar uma frase musical aqui: "Embalada pelo travesseiro, aqueço as mãos entre as pernas, me recolho e fecho os olhos contra a parede." Diga lá quem, quem não passa por isso e por isso não consegue descrever? Você foi precisa, sonora e linda como uma sítara quando chora em nossos ouvidos. Virei mais vezes, aliás eu antes vinha mais, bobeira que me dá de vez em quando.
abçs
Ilidio
At Abril 22, 2006,
Loba said…
Esta seda que envolve a paixão além de diáfana é tão poderosa que te calou? rs...
Beijos muitos.
At Abril 22, 2006,
Dra.Daniela Mann said…
Valéria querida,
Gostava muito de linkar este blog, mas no amar-ela são os visitantes que se linkam! Se for da sua vontade, vá até lá e registe-se no "Páginas Amar-ela"!
Abraços da Dani
At Abril 26, 2006,
Geórgia said…
lindo! e essa música me fez dar murros no ar. Perfect! Beijo, Val.
At Abril 26, 2006,
douglas D. said…
olá. gostei daqui!
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