Alumiada

A vida nos inventa muito melhor.

abril 11, 2006

Mayilkan (ou olho de pavão)

É que as manhãs me esquecem. Invoco essa espécie de esquecimento. Não ouço sol e sequer pretendo estender o novo dia. Embalada pelo travesseiro, aqueço as mãos entre as pernas, me recolho e fecho os olhos contra a parede. Invento uma para treinar meus murros quando nada sangra perto. E se nada sangra perto...
Volto à Índia. Com seus homens, mulheres, templos, crianças e uma mesma fome infinita que ora me consome. Suas preces sem pressa, seus deuses coloridos que lhes douram as horas.
Minha pouca fé dá as sete voltas em sentido anti-horário. Rajah Indran me confiou que tudo e todos - sem exceção - funciona.
Rajah, eu continuo desconfiando de quase tudo.
Ainda como maçãs à primeira hora do dia e me embriago cedo com a suavidade da seda que envolve a paixão.

15 Comments:

  • At abril 12, 2006, Anonymous gilbert said…

    Via Telescópio. Gostei do seu poema lá! PARABÉNS!

     
  • At abril 12, 2006, Anonymous Val responde: said…

    oi Gilbert! obrigada pela visita. o Nel é um poeta e tanto, amigo queridíssimo. é sempre um prazer quando ele olha meus rabiscos e encontra algo que gosta. :-)

     
  • At abril 13, 2006, Anonymous Loba said…

    Como vc, vivo envolvida na mais tola paixão. Mas diferentemente continuo confiando em quase tudo.
    Menina, eu queria escrever assim. Mas é inveja de admiração, viu? rs...
    Beijocas e obrigada pela força e pela presença.

     
  • At abril 14, 2006, Anonymous mario cezar said…

    sim valéria.
    venho pelo cehiro da terra

     
  • At abril 16, 2006, Anonymous leilalopes said…

    além dos olhos cotra parede, precisa de quê? o sol estava mesmo lá fora.
    Tudo continua lindo por aqui, passos e passos...
    Feliz domingo.
    Beijo.

     
  • At abril 16, 2006, Anonymous eduardo said…

    Seus textos são muito bacanas. Posso linkar no meu blog:

    http://cartasintimas.zip.net
    http://oliveira-freire.blog.com.br

     
  • At abril 17, 2006, Anonymous Tom said…

    Você merece voltar lá.

     
  • At abril 18, 2006, Anonymous Dora said…

    Não "amanhecer" é lembrar que o tempo só existe, se a gente quiser se encaixar nele...
    Beijos para você.
    Dora

     
  • At abril 18, 2006, Blogger Ilidio Soares said…

    é assim. bem devagar. leio você de longe, mas é no devagar que eu entendo. Como sou um sujeitinho meio rápido, deixo aqui, rapidamente, o meu "babar" por esse lindo colorido que só a fé me dá. só ela.
    abçs
    Ilidio

     
  • At abril 19, 2006, Anonymous dira said…

    opinião de fã, serve?

    perfeito. como tudo q vc escreve.

     
  • At abril 20, 2006, Blogger Ilidio Soares said…

    Opa! Vindo de você é mais que um elogio, é lenha pura pra eu por na minha fogueirinha. Obrigado, viu? Agora deixa eu destacar uma frase musical aqui: "Embalada pelo travesseiro, aqueço as mãos entre as pernas, me recolho e fecho os olhos contra a parede." Diga lá quem, quem não passa por isso e por isso não consegue descrever? Você foi precisa, sonora e linda como uma sítara quando chora em nossos ouvidos. Virei mais vezes, aliás eu antes vinha mais, bobeira que me dá de vez em quando.
    abçs
    Ilidio

     
  • At abril 22, 2006, Anonymous Loba said…

    Esta seda que envolve a paixão além de diáfana é tão poderosa que te calou? rs...
    Beijos muitos.

     
  • At abril 22, 2006, Anonymous Dra.Daniela Mann said…

    Valéria querida,
    Gostava muito de linkar este blog, mas no amar-ela são os visitantes que se linkam! Se for da sua vontade, vá até lá e registe-se no "Páginas Amar-ela"!
    Abraços da Dani

     
  • At abril 26, 2006, Anonymous Geórgia said…

    lindo! e essa música me fez dar murros no ar. Perfect! Beijo, Val.

     
  • At abril 26, 2006, Blogger douglas D. said…

    olá. gostei daqui!

     

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